Leia o testemunho do Luís Moreira.

“A minha história com a cirurgia bariátrica é demasiado emocional para eu a contar na sua plenitude.

Fico-me pela periferia. E mesmo essa é demais.

Quando fiz o meu bypass gástrico pesava 122 kg (em junho de 2016) e hoje (setembro de 2018) tenho 76 kg.

Tenho de dizer que perdi não só quilogramas de peso físico como perdi quantidades gigantes de falta de autoestima.

O gordo é uma pessoa estigmatizada. Sabemos tão bem disso que até dói: o badocha; o gorducho; o gajo que come até cair.

Correu-me tudo mal com a cirurgia. Tive uma hemorragia na parte inerte do estômago o que me provocou na noite da operação um coágulo e estive à beira de uma hemorragia interna. Entrei no bloco operatório de imediato e correu bem, felizmente, tirando dois drenos que tive de ter durante um mês e tal.

Mais tarde descobri que tinha o famoso Síndrome de Dumping Tardio. Hipoglicémias todos os dias, até saber porquê. Graças à Dra. Isanete Alonso ficou tudo controlado, até hoje.

Recentemente tive NEAT (No Exercise Activity Thermogenesis). Dormia 2 horas por noite e perdia peso. Foram dois meses assustadores, mas que felizmente também se foram. Quem descobriu? Dra. Isanete, claro.

Depois de ter passado por uma série de coisas fica o bom. Fica o resultado. Tal como diz a nossa presidente da APOBARI, Marisa, repetiria tudo.

A título de exemplo, devo dizer o seguinte: há umas semanas atrás andava à procura da minha namorada/noiva que sabia que estava dentro de uma loja. Eu estava na rua e espreitei para dentro, pelo vidro, à procura dela. Vi um homem dentro da loja e pensei: «uau! que tipo com tão bom aspeto».

Sabem quem era? Eu, refletido no vidro.

Eu estou a chorar à medida que escrevo isto porque nunca, mas nunca, pensei que eu um dia poderia vir a ser alguém com tão bom aspeto.

A operação foi completa: ao físico, à autoestima, à sociabilidade, à esperança numa vida melhor.

Obrigado, bendita operação: foi a decisão mais bem tomada da minha vida.”